Procuradoria pede intervenção da justiça federal em investigação sobre assassinato de jovem negro nos EUA

Ahmaud Arbery, de 25 anos, foi assassinado em 23 de fevereiro enquanto se exercitava em um bairro residencial; Poder local é questionado por demorar na autuação dos suspeitos. Cruz com flores e a letra “A” na entrada do bairro de Satilla Shores, onde Ahmaud Arbery foi morto enquanto se exercitava
Sean Rayford / Getty Images North America / Getty Images Via Afp
O procurador-geral do estado da Geórgia solicitou no domingo (10) ao Departamento da Justiça dos Estados Unidos que investigue o assassinato de um jovem negro quando se exercitava, o que provocou indignação em todo o país.
Ahmaud Arbery, de 25 anos, foi assassinado em 23 de fevereiro enquanto corria em plena luz do dia em um bairro residencial da cidade de Brunswick, Geórgia. Na semana passada, dois homens brancos foram presos e acusados de atirar contra ele.
A justiça local está sendo questionada por demorar mais de dois meses para atuar contra os suspeitos.
“Solicitei formalmente ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que faça uma investigação sobre o desenvolvimento do caso” – Chris Carr, procurador-geral da Geórgia
Carr publicou o comunicado oficial em uma rede social e afirmou que seu escritório está “comprometido com uma revisão completa e transparente de como foi desenvolvido o caso Ahmaud Arbery desde o início”.
“A família, a comunidade e o estado da Geórgia merecem respostas”, acrescentou.
Crime foi gravado em vídeo
A morte de Arbery ganhou notoriedade pública nacional na semana passada, após a divulgação de um vídeo de 28 segundos que mostra o momento do assassinato.
Nas imagens, Arbery é visto correndo por uma rua residencial e aproximando-se de uma caminhonete branca, com um homem parado atrás. Quando ele tenta desviar, encontra um segundo homem que segura uma espingarda. Então, uma briga ocorre entre os dois e se escutam três tiros.
A polícia identificou os dois homens brancos como Gregory e Travis McMichael, pai e filho de 64 e 34 anos, moradores de Brunswick. Ambos foram presos na quinta-feira (7) e acusados de assassinato e agressão agravada.
Manifestantes protestam contra a morte de Ahmaud Arbery em frente ao tribunal do condado de Glynn, na Geórgia (EUA) em 8 de maio, no cartaz se lê “Justiça por Ahmaud”
Sean Rayford / Getty Images North America / Getty Images Via Afp
De acordo com o relatório policial de fevereiro, Gregory McMichael disse aos policiais que acredita que Arbery era suspeito de uma série de roubos na região.
McMichael afirmou que usou sua Magnum 357, enquanto seu filho portava uma espingarda. Quando finalmente alcançaram o jovem, Travis McMichael saiu da caminhonete com a espingarda e Arbery começou a “atacá-lo violentamente”, disse o pai, segundo o relatório da polícia. O homem contou que viu seu filho disparar e que Arbery caiu no chão.
Mobilização nos EUA
As imagens geraram indignação em todo o país e apelos de várias celebridades, incluindo LeBron James e a atriz Zoe Kravitz.
Muitos compararam o caso com a morte à tiros de outro jovem negro, Trayvon Martin, por um guarda na Flórida em 2012.
A prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, descreveu o assassinato de Arbery como um “linchamento”.
Crianças em evento de homenagem à vida de Ahmaud Arbery no Sidney Lanier Park em 9 de maio de 2020 em Brunswick, Geórgia
Sean Rayford / Getty Images North America / Getty Images Via Afp
No jornal “Atlanta Journal-Constitution” de domingo, o rapper Jay-Z e a cantora Alicia Keys pediram ao governador e ao procurador-geral da Geórgia para “garantir que seja realizado um julgamento justo, o que só pode conduzir às condenações correspondentes por crimes graves”.
No sábado, a Coalizão de Jogadores da liga de futebol americano (NFL) pediu ao procurador-geral, William Barr, uma investigação federal.


Fonte/Referência: G1

Matéria Incompleta? Link da Matéria Completa