Maurício Valeixo deve ser ouvido nesta segunda na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba

Valeixo será ouvido pelos investigadores que atuam no inquérito que apura interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Ex-diretor da PF Mauricio Leite Valeixo deve ser ouvido na superintendência de Curitiba nesta segunda-feira (11)
DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Ex-diretor-geral da Polícia Federal (PF) Maurício Valeixo deve ser ouvido na Superintendência de Curitiba, nesta desta segunda-feira (11), pelos investigadores que atuam no inquérito que apura interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF.
A previsão é de o depoimento comece durante a manhã.
Valeixo será ouvido por ter sido demitido por Bolsonaro, que indicou Alexandre Ramagem para substituí-lo, mas não conseguiu emplacar a nomeação, barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao analisar uma ação movida pelo PDT.
Ministros da ala militar do governo devem depor depois de Valeixo.
Os relatos do inquérito foram citados pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, quando pediu demissão do cargo, e estão em investigação.
O inquérito foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e vai investigar se as acusações de Moro são verdadeiras. Se não forem, o ex-ministro poderá responder na Justiça por denunciação caluniosa e crimes contra a honra.
O caso está sob relatoria do ministro Celso de Mello. Moro depôs por cerca de oito horas no inquérito no último sábado (2).
Pivô da saída de Moro
Valeixo foi o pivô da saída de Moro do governo federal. Bolsonaro queria tirar do posto o então diretor-geral da PF desde agosto, mas Moro reagiu. Valeixo era um nome escolhido por Moro, e o ex-ministro ameaçou deixar o governo se Bolsonaro tirasse Valeixo.
Em agosto, o presidente recuou. Em abril, voltou ao tema e comunicou a Moro que faria a troca. Sem concordar, o ex-juiz da Lava Jato pediu demissão após Valeixo ser exonerado e relatou durante pronunciamento de sua demissão que o presidente fez a troca porque queria interferir politicamente na Polícia Federal.
Como a equipe de procuradores que auxilia o procurador-geral, Augusto Aras, nos trabalhos do inquérito e acompanha os depoimentos das investigações terá de se deslocar de Brasília para Curitiba, os depoimentos dos ministros da ala militar do governo devem ficar para depois de Valeixo.
Agora, para investigadores, é crucial ouvir ministros do Planalto – General Heleno (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência), General Ramos (Secretaria de Governo) e General Braga Netto (Casa Civil) – sobre as acusações de Moro, além de Valeixo.
Vídeo de reunião com Bolsonaro
Os investigadores também estão na expectativa da entrega do vídeo da reunião em que Bolsonaro teria falado na interferência política na PF, o que corroboraria a declaração de Moro. Na terça-feira (5), Celso de Mello deu 72 horas para o governo entregar as gravações da reunião citada por Moro.
Segundo o blog da Andréia Sadi, o Planalto teme a divulgação do vídeo por ser, além de uma prova, algo “constrangedor” para o presidente. Na quinta (7), a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao ministro Celso de Mello autorização para entregar à Corte somente parte das gravações da reunião.
Segundo fontes ouvidas pelo blog, na reunião, foram tratados temas que vão além da interferência política na PF, o que exporia ainda mais a maneira como presidente se porta perante o combate ao coronavírus, minimizando os efeitos da pandemia. Isso geraria exposição negativa para o governo federal.
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Fonte/Referência: G1

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